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Imbaiá

Amanhecer no imbaiá de caçada de marrecos no Uruguai

Capiau, caboclo, caipira, matuto. É igual a choça, imbaiá, espera, negaça. Ninguém, principalmente gente da cidade, sabe mais explicar direito o que é, como é. Largamos a mão da roça definitivamente. Pelo jeito vai ser mais fácil embarcar na onda dos insetos que esta chegando do que tentar entender o que já fomos para, pelo menos, tentar melhorar a qualidade de informação sobre o pedaço de terra que pisamos. Como somos uns maria-vai-com-as-outras em pouco tempo veremos muitas matérias e chefes posando com pratos feitos com gafanhotos.

Tentei descobrir o significado de choça e imbaiá no Aurelio, Houaiss, Wikipédia e Google, não encontrei nada a respeito. Estou encafifado porque ouço a caboclada usar o têrmo desde que comecei andar na Serra do Mar para caçar macuco com meu pai aos 8 anos de idade. Depois, aos 20 anos quando cheguei na Frente de Atração Kranhacãrore, sob o comando dos irmÃ¥os Villas Boas convivi com muitos peões de todas as regiões do Brasil que construiam as estradas que cortaram a Amazônia. A conversa daqueles brasileiros que não me abandona a memória era sempre a mesma, parecia uma música que tocava todas as noites no acampamento, “fechei um imbaiázinho e nem piscava”, fiz uma chocinha e guentei”, “o bicho me viu na negaça”.

Que gastronomia é a nossa, que nem discutir a caça caçada quer, manejada, verdadeiramente orgânica como é na Europa e Estados Unidos? E a Prefeitura de São Paulo que proíbe vender sanduíche de pernil na porta dos estádios mas apresenta o “Porco Paraguaio”na Virada Cultural?

Faça uma experiência e veja porque somos uns maria-vai-com-as-outras, batuque no Google Porco Paraguaio e encontrará 71.100 resultados, enquanto se voce escrever Imbaiá a resposta será zero.

Jaguarão/RS divisa com Rio Branco/Uruguai

Biscoito salgado e polvilho-Jaguarão/RS

Asado de tira-Rio Brando/Uruguai

Campos, banhados e marrecos do Uruguai

Olha o golpe

La Gaztronomia di Banannèri

No ano de 1931 havia uma enxurrada de ideias messiânicas e salvacionistas que pululavam nas páginas dos jornais, visando relativizar a consciência nacional do homem brasileiro. Buscava-se diminuir a distância entre ¨o que se pensa¨ enquanto brasileiro e ¨o que se é¨. A época dos manifestos e palavras de ordem leva Juó Bananére a divulgar seu ¨Manifestu da a legió Inrevoluzionaria¨:

1. U brasile é unico e invisive.

2. U tipu sociali braziliano é uma mistura di terra, di ingonomia e di storia.

3. U Brasile stá sitoado nu meio do o Mondo.

4. U uómo brasiliêre é figlio di tuttas razza: negro, indio, macaco, intaliano, ingreiz, turco, cearensi, pernanbugano, gauxo, afrigano i allamó.(Nota du traduttóre – Grazias a deuse io sô intaliano i sô figlio di mio paio i di mia máia i di maise ninguê)

5. Inzisti una tradiçó morale braziliana chi é priciso adisgobri. Vamos apricurá.

(Wikipédia)

Guarda comida

Tostado Jamon y Queso, sempre (gaztronomia banannèri), e fim do silêncio

Faça as contas

Matambre de cierdo ainda não foi copiado

A mesa do vizinho

Ontem, o quilo do tomate em um supermercado de San Martin de Los Andes custava o equivalente a R$ 2,50 (média entre o câmbio paralelo e o oficial)

Coisa rara nas nossas mesas, água mineral com gás natural, em garrafa de vidro. (Preço: R$ 4,00)

Escabeche de ciervo.

la gaztronomia di banannèri

Ontem a noite, conversando com o professor Carlos Dória sobre um molho de tomate que ele havia feito falei da minha vontade de criar uma nova sessão para o Blog sobre as comidas que fazemos no dia-a-dia. Na verdade sempre que falamos sobre estes pratos simples e baratos a artilharia come solta em todas as direções do dito mercado gastronômico mas, verdade seja dita, reconheço que minha latitude é muitissímo menor que a do meu querido professore. Eu queria um nome para esta nova sessão quando Dória lembrou do Juó Bananère e cinco minutos depois arredondamos o nome da nova sessão: ” la gaztronomia de banannèri”

Como sou meio italiano, meio caipira, cozinheiro, dona de casa desde pequeno e mateiro velho achei que o Bananère é a cara do que eu quero tratar aqui. Reproduzo o texto do Wikipédia que apresenta o escritor Juó Bananère:

Juó Bananère era o pseudônimo usado pelo escritor brasileiro Alexandre Marcondes Machado para criar obras literárias num patois falado pela numerosíssima colônia italiana de São Paulo na primeira metade do século XX.

Apesar de não ter ascendentes italianos, o escritor Alexandre Marcondes Machado apaixonou-se pela cultura surgida nos bairros centrais da capital paulista após a grande onda imigratória que fez com que a população da cidade passasse de 130 mil habitantes em 1895 a 580 mil em 1920, dos quais mais da metade eram imigrantes estrangeiros e outro quarto eram seus filhos já nascidos no Brasil.

Sua principal obra foi o livro La Divina Increnca, editado pela primeira vez em 1915 e reeditado em 1994. Todos seus textos, desde artigos para periódicos a panfletos, eram marcados por uma linguagem satírica e autolaudatória. Juó Bananère intitulava-se Gandidato à Gademia Baolista di Letteras (Candidato à Academia Paulista de Letras).

Notável em sua época pelo estilo humorístico-satírico, recriando textos literários consagrados, utilizando-se de uma mistura de italiano e português recorrente em bairros paulistanos de imigrantes. Aclamado pela crítica, tornou-se popular no Brasil pela irreverência de suas paródias a sonetos de Camões e de Olavo Bilac, a poesias de Casimiro de Abreu e de Guerra Junqueiro, como pelas sátiras políticas contra o marechal Hermes da Fonseca e outros nomes da velha República.

Fez ainda paródias de La Fontaine e Machado de Assis, mantendo ainda a mistura dos idiomas italiano e português, típica dos moradores italianos dos bairros do Brás, da Mooca, do Bixiga, do Belenzinho, bairros operários da cidade de São Paulo, onde havia grande concentração de imigrantes. Considerado por muitos como um pré-modernista, principalmente pelo fato de ter começado a tratar de forma irreverente as produções do romantismo e do parnasianismo, publicou dois livros La Divina Increnca, paródia da Divina Comédia, e Galabaro, corruptela de Calabar.

Paródia de Juó Bananère ao poema “Canção do exílio” de Gonçalves Dias

Migna terra tê parmeras,

Che ganta inzima o sabiá.

As aves che stó aqui,

Tambê tuttos sabi gorgeá.

A abobora celestia tambê,

Che tê lá na mia terra,

Tê moltos millió di strella

Che non tê na Ingraterra.

Os rios lá sô maise grandi

Dus rios di tuttas naçó;

I os matto si perde di vista,

Nu meio da imensidó.

Na migna terra tê parmeras

Dove ganta a galigna dangola;

Na migna terra tê o Vap’relli,

Chi só anda di gartolla.