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Amazônia o Povo das Águas

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Amazônia real

juta

Fim do dia para os trabalhadores da juta.  A produção da jornada é colocada na canoa e os trabalhadores cruzam o canal de várzea que separa sua casa da plantação.

Ilha do Marrec̣o РMar̤o de 1995

Legenda do livro Amazônia O Povo das Águas

As contas da Amazônia

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Quando a visibilidade é boa em qualquer vôo sobre a Amazônia meu nariz fica colado na janela do avião e inevitavelmente uma máquina de calcular imaginária faz contas sem parar. Faço todo tipo de conta. Contas de ocupação com casas e vilas, do emaranhado de ramais que ligam fazendas, sítios, derrubadas e cabeças de gado. Com o tempo se aprende a distinguir desde sete mil pés de altura a diferença entre uma roça de banana e mandioca. Colunas de fumaça sobem nas alturas se confundindo com as nuvens.

Não precisa entender de mato, de Amazônia, mas esta é a hora que a informação recebida na “civilização” entra em contradição com o que se esta vendo lá de cima do avião. Até quem nunca viu uma lavoura vai sentir um frio na espinha quando ver uma plantação de soja encostar na beira de um rio virgem, de águas cristalinas. Se fixar o olho para baixo, 90 graus,  vai ver pequenas manchas de terra vermelha. São picadas de madeireiros. Eles trabalham em baixo da mata como formigas.  O satélite não tem a menor idéia do que esta sob as copas das árvores.  Uma hora de vôo é suficiente para baixar um desânimo danado, fica-se com uma sensação de impotência enorme. Pior, descobre-se que é tudo história para boi dormir a ladainha decorada dos especialistas em discurso sobre manejo sustentável.

Avião no chão e o cheiro de mato virgem úmido traz um suspiro de conforto e felicidade. Em seguida o subconciente, que não perdoa, faz a pergunta inevitável: até quando este rio vai correr em paz povoado de tucunarés, trairões, bicudas e piraras? Sera que vai ter mato para andar piando macuco?

Amazônia monocromática

vermelho

verde

amarelo

Foram mais de dez anos pesquisando, sonhando e fazendo listas intermináveis de compras para passar até dois meses fora de Manaus, no barco Taba, que comprei para fazer o livro Amazônia o Povo das Águas.

Juntamente com o comandante Almir naveguei seis anos, entrando em lagos, igarapés e igapós.

Nas primeiras viagens filme cor não pisava no meu barco. Só o velho, bom e conhecidissímo TRI-X. Com uma LeicaM, discreta e elegante,  formava uma dupla imbatível. Aliás ela, a câmera, se recusava a receber outro filme, cor então, nem pensar.

Navegar nos grandes rios é uma mesmisse sem fim. Céu cinza, uma faixa verde e água, se for barrenta pior ainda.

A amazônia é monocromática. A cor entra forte, explícita, quando se chega nas comunidades, incomodando os olhos acostumados com os tons de cinza dos dias intermináveis de navegação.

Não tem jeito. Cor é informação. Me fiz de bobo um domingo numa comunidade no alto de uma barranca no rio Solimões. Vi, mas fiz de conta que não vi, os vestidos coloridos pespontados a mão das mulheres sentadas num banco de uma pequena igreja. Deixei de fazer um par de belas fotos. Uma pontada no peito.

Como foto não feita é sempre melhor que foto feita, além de ficar remoendo a vida toda, faz a rota ser corrigida imediatamente. O livro passou a ter, a partir daquele momento, tambem fotos coloridas.

TRI-X

222aa1995 – Fitejuta, antiga fábrica de juta de Manaus. Foto do livro Amazônia O Povo das Águas

Sala de Leitura

Notícia gratificante. O livro Amazônia O Povo das Águas foi adquirido pelo Programa Sala de Leitura da Fundação para o Desenvolvimento da Educação da Secretaria da Educação do Governo do Estado de São Paulo. O livro foi relançado especialmente e uma parte desta edição vai para a livrarias com uma nova capa. Leia o texto do editor Roberto Linsker:

capa amazonia

“Estou no mundo editorial há 20 anos e a cada ano aumentam as dificuldades para as pequenas editoras (sim a Terra Virgem Editora é uma delas) conseguirem um lugar ao sol ou à sombra que seja. Por isso é com alegria que compartilho a notícia: a editora vendeu 2.250 exemplares do livro AMAZÔNIA, O Povo das Águas de Pedro Martinelli, para o programa Sala de Leitura da Fundação para o Desenvolvimento da Educação da Secretaria da Educação do Governo do Estado de São Paulo.

O Povo das Águas é uma das poucas obras referência sobre a Amazônia e, passados 13 anos do seu lançamento, ser reconhecida como tal é uma felicidade tanto para o fotógrafo quanto para a editora. E imagino que também será para as crianças e adolescentes que tiverem contato com os exemplares. A foto acima é a nova capa do livro, internamente continua igual, fizemos uma tiragem pequena, apenas 700 exemplares impressos com qualidade excepcional, o material da capa é Hiflex, um cartão flexivel que não “quebra”pois as fibras de celulose são entremeadas com borracha. Em breve somente nas melhores livrarias, ou seja aquelas que vendem os nossos livros.”

Comandante Almir

Almir, comandou o barco Taba para a produção do livro Amazônia o Povo das Águas, com um belo tucunaré de 6,5Kg. na semana passada no Rio Água Boa em Roraima

Fotografia sem contato e lupa

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Aproveitei esta terça-feira de chuva fina interminável para devolver alguns negativos e contatos para o arquivo, um quarto com armários de aço e desumidificador regulados para 50% de humidade que gospe água para fora por uma mangueira que atravessa a parede. Em cima de uma mesa tenho mil pendências para serem resolvidas, todas velhas conhecidas que estão a anos esperando uma decisão que nunca sai. As fotos pessoais precisam de uma nova caixa, as outras não sei se devem ser escaneadas, tem reprodução que acho que não vale a pena continuar guardando, algumas pilhas de sobras de cromos, teoricamente seria lixo mas, e coragem para jogar fora? Estas fotos estavam em uma destas pilhas de contato esperando uma caixa para morar. Não é nada importante, é um teste, fazem parte de uma pesquisa de cor que fiz com filme negativo puxado na época que eu estava fotografando para o livro Amazônia O Povo das Águas. Pensei em editar e escanear duas ou tres fotos de cada contato e guardar como referência para não ter que levantar mais e ir no arquivo manusear as dezenas de caixas que tenho. Acontece que eu gosto de ver a foto editada suportada pelas que estão ao lado, inclusive as que estão na tira de cima no contato como é o caso destas duas fotos que estou publicando aqui. Toda vez que bato o olho em uma prancha de contato destas que estão em cima da mesa sinto uma atração enorme. O contato é fascinante e esta ficando cada vez mais difícil conversar ou explicar o que é esta relação com os viciados na droga do mundo digital. Difícil explicar que em contato não se limpa as fotos ruins, no contato não se deleta foto fora de foco, tremida, mal exposta, a foto mal enquadrada estara lá, sempre presente, lado-a-lado da que foi editada. Por isto por mais que um contato já tenha sido visto a tentação em passar a lupa é irresistível porque ele exerce uma atração, ele oferece um conjunto, uma história e a sensação eterna de que ainda não vimos tudo, que ainda falta achar a foto boa. A melhor coisa para acertar o olhar e a conduta são as 36 chapas que estão no contato.

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Revendo nosso ambiente – 1

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Estas fotos foram feitas em 1997 na região da Serra dos Carajás no Pará e estão publicadas no livro Amazônia O Povo das Águas.  De lá pra cá eu estive na região duas vezes, a última no final do ano passado e, agora, recebo notícias de um engenheiro que trabalha na Serra que passou por esta estrada onde fotografei esta raposa morta, a PA-158 e teve que cruzar vários focos de fogo ao longo da estrada. Na quinta e na sexta vou repassar mais fotos. Tambem tem a matéria de quatro páginas que fiz para a Veja na época em – http://veja.abril.com.br/acervodigital/  – Edição 1509 de 20/08/1997 na página 88

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Galeria – foto da semana

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Prova do Autor – Título: “Paraná do Mocambo” junho 1995 – 24X30cm em papel resinado brilhante Kodak. Cópia de trabalho para edição do livro Amazônia O Povo das Águas. A fotografia será entregue em montagem simples, sem moldura, com passe-partout em papel Crescent acid-free, sobre base de eucatex com vidro incolor fixadas com presilhas de aço. A assinatura poderá ser feita na frente da cópia no canto inferior direito com caneta preta permanente ou atrás com lápis.

Preço: R$ 1.100,00