Lambari, arroz e salada de tomate
A cidade de São Paulo, ao contrário do que muita gente pensa, tem muito mais mata virgem perto do centro da cidade que muitas capitais da Amazônia e para sorte da bicharada a molecada que antigamente campeava de estilingue, gaiola, visgo, armadilhas e outros artefatos de predação hoje esta nas salas de bate-papo. A passarada esta cada vez mais livre e as gaiolas estão desaparecendo. Meu amigo Fabio Morganti gasta dúzias de bananas e kilos de maças por mês para alimentar saÃras, papagaios e sabiás que comparecem diariamente no seu apartamento na Oscar Freire.
Outra coisa boa da cidade é a proximidade com as diversas represas que estão no entorno da cidade. Na semana passada fui a represa de Paraibuna pescar lambari com meus amigos Gustavo e Jacinto, velhos companheiros de mato e de muitas pernadas sertão afora. Eu queria fazer umas fotos dos peixinhos, imaginava um still, não sei, ainda não tenho nada formatado, poderia encaixar no projeto pessoal que esta demorando para desenroscar, as vezes não desenrosca nunca. Mas a idéia era rever os amigos e comer uns lambaris, claro. Pescamos de dentro do bote, muitos lambaris, um-atrás-do-outro, pinguinha, uma-atrás-da-outra, uma paz, um silêncio, histórias, imagina, tinha um matão maravilhoso na nossa frente. O Jacinto fritou os lambaris  e fez o arroz bem fritinho “para não ficar branco lavado” e a salada de tomate. Fiz algumas fotos mas estas que publico aqui são as que eu mais gosto no final das contas, mais do que aquelas embicadas para alguma coisa mais seria, quero dizer, com segundas intenções, de trabalho e aquele blá, blá todo que acaba enchendo um pouco exatamente porque tem a pretensão de ter que dar certo e acaba na gaveta do limbo eterno.
2 Comentários
Ana em 7 fevereiro, 2010
Nossa, lembrei que fazia visgo com o leite da figueira quando era criança. Também fazÃamos bolotas de saibro pra matar passarinho com estilingue. Dizer isso hoje,soa como heresia, hein !!
Mas já me redimindo, trato no quintal muitos canários, sabiás e cambaxirras que aqui no Paraná são muitos.






Marise em 20 janeiro, 2010
A cidade de São Paulo tem passarinho solto, tem grandes manchas de mata nativa até mesmo no Trianon, defronte ao MASP. E as árvores frutÃferas pelas calçadas, como o pé de uvaia (ou orvalha) pertinho da Igreja da Cruz Torta, em Pinheiros.
Não fosse a especulação imobiliária troglodita e as incompetências administrativas de diversas épocas (muitas vezes uma coisa ligada a outra), aqueles 57% que querem sair daqui, talvez resolvessem ficar. :)