Rio Jaú
Navegar pelos grandes rios da Amazônia é uma chatice para quem acha que mato, água e céu é tudo igual.  Viajar em rio de água”branca” (marron) com céu encoberto, cinza, o verde da floresta vira uma faixa estreita insignificante entre os dois. Não há cor. A Amazônia é monocromática. Para os recém-chegados da cidade grande ficar parado assistindo a paisagem passar é pouco. A expectativa criada antes da viagem é alta por isso o foco são as coisas que precisam ser vistas e ticadas da lista de pendência mas, não se vê um passáro, a distância da margem é grande, e zero sinal de algum bicho. Onde estarão os Ãndios.
Com o tempo a “zoada” do motor se encarrega de ir colocando os mais impacientes nos eixos. ” O motor embaralha as idéias e o sujeito se acalma”, diz o comandante Almir. É verdade, o primeiro sintoma de calmaria é parar de perguntar a hora de chegada no destino e o programa do dia seguinte.
A cura total se dá no primeiro mergulho em uma praia de areia branca do Rio Negro e entrar no Rio Jaú  para assistir num fim de tarde a lâmina d’água espelhada que fotografa e imprime o céu azul nos finais de tarde.


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