A toada da Ilha de Parintins
Som da bateria da Caprichoso deixando a arena ontem a noite depois de ter feito a primeira apresentação. A montagem deste pequeno filme foi feita por Filipe Camarneiro da Leica Brasil/ SP Fhotofest.
Som da bateria da Caprichoso deixando a arena ontem a noite depois de ter feito a primeira apresentação. A montagem deste pequeno filme foi feita por Filipe Camarneiro da Leica Brasil/ SP Fhotofest.
José Serra em campanha na arquibancada vermelha do boi Garantido na primeira apresentação da noite.
No final da tarde de ontem embarcações de todos os cantos da amazônia começaram a chegar no porto de Parintins para a festa que começa hoje. A fiscalização esta bastante rigorosa. Nosso barco Sebastião Borges foi vistoriado tres vezes pela Marinha entre Manaus e Parintins.
Foto: Edu Muylaert
O barco Sebastião Borges  partiu ontem de Manaus com um grupo de fotógrafos com destino a Partintins no rio Amazonas para participar da Festa do Boi.
A turma reunida na tolda do barco. Vento fresco e as últimas luzes do inverno deste ano na amazônia
A casa e as bananeiras ficaram a salvo na cheia deste ano. Agora o rio vai vazar até dezembro, é o inÃcio do verão.
Eu vivo dizendo que tem que controlar o coração, Mas, quem resiste? Com lua cheia então…e o cheiro do final da tarde, o silêncio do Rio Amazonas, o mato respirando…
O Sebastião tem a maior banheira ao ar livre do mundo.
Acabou o isolamento, o celular pegou em quase toda a viagem.
Almir, nosso comandante e companheiro de todos os livros, nas centenas de horas de navegação, nos projetos e na construção do Sebastião Borges.
Este post foi escrito  especialmente para a sessão “A foto que eu gostaria de ter feito”  do blog www.olhave.com.br a pedido do amigo Alexandre Belém e esta sendo publicado simultaneamente hoje.
Uma das fotos que eu gostaria de ter feito e não fiz foi neste lugar. Claudio Villas Boas era o chefe da expedição de contato dos Ãndios gigantes, os Kranhacãcores e estava em cima dos paus da derrubada das árvores do local onde seria construÃdo o primeiro campo de pouso nas margens do Rio Peixoto de Azevedo, na divisa dos Estados do Mato Grosso e Pará, em 1970. Naquele dia Claudio parou em diversos pontos para conferir o alinhamento da pista com a bússola e eu acompanhava fotografando. Esta é uma das fotos que eu fiz naquela manhã. Com uma Nikon F e uma 85mm 1.1: 8 eu fazia o enquadramento quando, de repente, o Claudio sumiu do meu visor. Sai desesperado pulando por cima dos paus e galhadas para acudi-lo e, quando me aproximei vi a seguinte cena: Claudio no chão, tombado de lado com seu Schmith Weston cromado apontado para a cabeça de uma cobra surucucu enorme que estava a dois palmos de distância do cano do revólver. A cobra estava empinada, brava, a um metro do chão, mais alta que o braço do Claudio. Fiquei paralisado, em silêncio acho que alguns segundos, me lembro de ter ouvido a minha própria respiração e em seguida o tiro espatifando a cabeça da cobra. Que chapa maravilhosa eu fiz. Ela esta feita mas só eu vejo. Esta que é feita com máquinas eu não fiz, gostaria de ter feito para poder mostrar para voces a cena de um homem muito corajoso, de mãos enormes e alma pura que entregou a sua vida para os Ãndios. A noite ele me contou o que pensou quando viu a surucucu na altura do seu tornozelo. “Quando eu vi ela subindo por baixo da bússola pensei, vou morrer. Então, resolvi pegar ela de surpresa e pular de lado com os dois pés bem juntinhos para ela não ter tempo de me pegar”. Eu deixei de fazer  muitas outras fotos boas graças aos meus anjos da guarda Albina, os irmãos Claudio e Orlando Villas Boas e Erno Schneider que me ajudaram a tirar o filme com a foto do primeiro contato do fundo do rio Peixoto de Azevedo. Não fosse eles  minha trajetória  provavelmente seria outra e eu não estaria aqui agora contando esta história.
…numa chatice de futebol interminável comecei procurar o que fazer na estreia do Brasil na Copa do Mundo.  Na verdade eu já sabia, o time sempre morre de medo, seja de quem for, e fica tocando a bola para os lados tirando a  paciência de qualquer um. Vi isto ao vivo em cinco Copas. Ver  pela TV é muito mais chato  porque sempre tem uma nova modalidade de engraçadinhos na Globo. Como tenho uma televisãozinha na mesa da cozinha fiquei por ali. Primeiro liguei o forno  e quando começou o primeiro tempo peguei  alguns tomates e coloquei para assar com azeite, pimenta do reino, sal, ervas, alho, sálvia, orégano, mangericão, na verdade um pouco de tudo o que tenho plantado na horta.  No começo do segundo tempo já estavam prontos. Aproveitei o forno quente e entrei com as maçãs com vinho, água, mel, cravo e canela, receita de regime do amigo Fabio Morganti, na verdade eu queria temperar com Marasquino e já fui indo atrás de alguma luz com a travessa de tomates na mão para fazer as fotos quando ouvi o foguetório de final de  jogo. Esta Copa vai ser boa de cozinha.Hoje estou me preparando para fazer um cento de tortellinis durante o jogo contra a Costa do Marfim enquanto a bola é tocada no meio de campo.
Na época da cheia,  quem mora em casas flutuantes na amazônia tem contato mÃnimo com a terra firme. Até para chegar no canteiro próximo, para buscar um  punhado de cheiro verde, é preciso ir de canoa. Às crianças , só resta o tablado de madeira que contorna a casa para brincar. Estas  meninas irmãs moram no Paraná do Supiá, um braço do Rio Solimões, região de várzea onde se planta juta e malva.
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