Arquivo / maio, 2010

Peixe bom, gente bruta

Ultimamente tenho controlado bastante a alimentação com a ajuda de uma nutricionista. Na verdade tenho gostado  mais das conversas sobre alimentação do que sobre a dieta propriamente dita, claro. Em casa tudo corre as mil maravilhas mas, é só  por o pé na estrada e o juizo acaba. Primeiro porque o Brasil é uma tentação. Cheio de diabinhos espalhados por todos os cantos que vivem puxando a gente para o mal, ou melhor, para o bom caminho. “Aproveite e reforce no peixe”, me recomendou a nutricionista quando eu disse que estava viajando para a amazônia.

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Nem pensar, pensei, sem a menor vontade de dar maiores explicações sobre os porques no tratamento dado aos peixes em todas as fases desde o momento da pesca até a chegada ao mercado.  Porque a maioria não sente diferença no gosto e muito menos no cheiro e tambem não quer nem saber como se trata os pescados por aquelas bandas. Parei com as ladainhas, tenho várias mas, tenho editado. Os que adoram um “peixinho” acham que eu sou um chato com a minha mania de higiêne. Até já fiz teste de “pitiu” com jaraquis entre os tripulantes do meu ex-barco o Sebastião Borges. Consumir peixe fedido acostuma. O peixe não chega estar estragado mas perdeu a delicadeza, o frescor, o brilho. Peixe fresco não tem cheiro. Nenhum. Um peixe passado pode passar o “pitiú” ou  ”maresia” como se diz  no litoral de São Paulo se estiver no mesmo gêlo dos outros peixes bons.  Na amazônia o peixe é jogado dezenas de vezes, socado em porões ou caixas apertadas com gêlo insuficiente, manuseado no chão de pontões onde são descarregados gasolina e óleo diesel. Nos mercados das cidades, onde as temperaturas passam facilmente dos 35 graus, ficam expostos em bancadas o dia todo sem refrigeração. O manuseio é bruto, não estimula o consumo.

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Pior que isso, o peixe de água doce é muito mais delicado e a grande maioria que vai a amazônia come, adora e não sente o tal pitiú, esta catinguinha, as vezes uma catingona insuportável que pode ser sentida a distância. Uma pena porque cuidar da água é manusear com dignidade e higiêne o alimento produzido nestes rios que a gente diz que admira tanto,  se orgulha de te-los mas, trata com desdém, vive atirando lixo e esgôto dentro deles e ainda não entendeu que nossos rios ainda produzem peixes nascidos e criados  nas suas águas, absolutamente orgânicos, os últimos que ainda não estão sendo tratados com ração e não vivem em fazendas de criação, por enquanto.  Por isso merecem ser tratados com respeito. Ou será que um salmão de uma fazenda de criação chilena, engordado com ração e betacaroteno para ficar mais alaranjado é mais saudável?

Cartão Postal - Pantanal

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Madeira Mamoré

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Faz muito tempo que locomotivas e vagões da Estrada de Ferro Madeira Mamoré estão abandonados ao longo da linha nas proximidades do Rio Madeira em Porto Velho. Os índices de malária tambem são os mais altos do Brasil na mesma região onde morreram centenas de trabalhadores durante a construção da estrada de ferro. Agora a estrada será restaurada pela Santo Antonio Energia, empresa que esta construindo a barragem de Santo Antonio no rio Madeira. Esta semana a equipe de arqueólogos que pesquisa na região recebeu como doação uma garrafa de água tónica da marca “Ross’s” de Belfast que os Ingleses importavam porque acreditavam que o quinino da composição ajudava a combater a cura da malária. A água tônica entrou no Brasil entre 1907 e 1912 período da construção da estrada,

“Avuado”

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Os pescadores da costa do Pará passam o dia no mar comendo peixe assado diretamente sobre as brasas dentro de suas embarcações. Esta jeito de fazer é chamado de “avuado”. Eles tem uma espécie de fogareiro que chamam de “laqueiro” onde colocam o carvão e fazem virar brasa. O peixe é colocado em contato com a brasa por um minuto, depois é virado com o lado do couro para o fogo por mais um minuto e esta pronto. É comido com farinha.

“Tira uma linha”

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Com esta foto dos meus amigos italianos da Emilia-Romagna, Bruno Taioli de Cesena e Fabio Morganti de Bologna fazendo tortellini começo uma nova sessão no blog chamada “tira uma linha”. Era uma expressão que se usava para valorizar o que era chic e eu ouvia muito quando era menino, principalmente dos padres italianos que apareciam na minha casa depois da missa de domingo para falar de caça com meu pai e tomar vinho.

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As fotos que foram parar no fundo do rio

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Estas duas fotos fazem parte dos filmes que foram parar no fundo do rio logo depois que fotografei o primeiro contato dos índios Kranhacârore. Uma delas esta manchada, é a primeira de cima, foi o único filme que manchou onde aparecem os irmãos Villas Boas próximo ao índio logo depois que eles se tocaram que é quando o contato fica formalizado. “Quando eu der um beliscão na barriga de um Kranhacãrore será o fim deles” dizia Claudio Villas Boas. Esta era uma foto que eu gostaria de ter feito mas, a canoa parou em uma pedra na corredeira e eu fiquei encoberto pela mata do barranco.

Um pingo de água é a morte

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Meu primeiro banho de rio com câmera fotográfica poderia ter me custado o emprego e ter mudado completamente a minha trajetória profissional. Depois de esperar três anos fotografei o primeiro encontro dos irmãos Villas Boas com os índios gigantes. Na sequência a canoa que eu estava virou com minha Nikon F e os filmes operados. Os índios da expedição recuperam tudo e os filmes foram enviados para o Rio de Janeiro e os laboratoristas do jornal O Globo salvaram a minha pele. A câmera que eu coloquei num tambor com querosene de aviação foi desmontada, limpa e eu voltei a trabalhar com ela por mais dois anos. Eu tinha 20 anos. Como eu prefiro tempo virado à céu azul dá para imaginar quanta chuva tomei com câmera a tiracolo nestes anos todos. Nenhuma câmera me deixou na mão. Agora, chuva nenhuma se compara ao corpo encharcado de suor produzido pela umidade quando se esta dentro da mata na amazônia.

Estou relembrando esta história do contato porque esta semana que passou eu perdi a minha primeira câmera digital legalzinha. É, acho que elas merecem ser tratadas assim, porque são assim mesmo, bacaninhas, juniors, descartáveis, nada confiáveis. Partem com a mesma volatilidade com que chegam. Não é mais um objeto de respeito, de admiração que o fotógrafo dividia os amores e os ódios.

Comprei uma Canon G9 achando que ela poderia aguentar o tranco de minha mochila urbana e a pressão de quem manuseia câmera como ferramenta de trabalho. Que nada, aguentou um ano e meio e ficou louca. Segundo a oficina autorizada esta morta por “entrada de líquido no seu interior”. Em casa coloquei a bateria e tudo funcionou, todas as funções. Não faço outra coisa a não ser ligar e desligar para ver se esta viva. Pior, esta vivissíma!

Como eu estava acostumado com a camerinha sai da oficina e fui direto para a loja comprar outra, agora é G11, também muito legalzinha, mais umas coisinhas novas, é realmente uma bela maquininha, parece fortinha mas, não posso esquecer o que me disse Jorge Namba, da oficina Canon, “ela tem todos os circuítos integrados, um pingo de água acaba com tudo”. A partir de hoje vou ter que colocar na mochila, como segundo corpo, uma ‘M’ com um filme e deixar lá de prontidão. Que tristeza estas câmeras digitais, uma M6 virando “back-up” de uma droga que se acaba com um pingo de água. Onde já se viu isso, onde fomos parar?

Galeria - Foto da Semana

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Prova do Autor - título: “Rio Negro” 1996 -  24X30cm em papel resinado brilhante Kodak. A fotografia será entregue em  montagem simples, sem moldura,  com passe-partout em papel Crescent acid-free,  sobre base de eucatex com vidro incolor fixadas com presilhas de aço. A assinatura do autor esta na frente da foto no canto inferior direito.

Preço: R$ 700,00

Arte de quem?

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TRI-X

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