São Paulo, um amor eterno
Eu nasci na Pró-Matre na Avenida Paulista no dia 1º de Janeiro de 1950 e fui registrado na vizinha Santo André onde fui criado.O meu pai disse para o escrivão que eu nasci as 15,30 mas, minha mãe me dizia que o parto tinha sido depois da meia noite porque ela lembrava de ouvir a gritaria vinda da corrida de São Silvestre que na época dava a largada a meia noite. Por isso até hoje o meu horóscopo chinês não pode ser feito.
Meu pai queria me ensinar caçar macuco na Serra do Mar que ficava praticamente atrás da nossa casa e minha mãe queria companhia para tomar chá no Mappin, almoçar no Massadoro, comer um docinho na Cristallo da rua Marconi. Eu queria tudo, queria bater perna no mato com meu pai e na cidade com a minha mãe. Hoje, nas minhas contas tenho certeza que é assim que se aprende a fotografar. Quando alguém pega um garoto pela mão e sai apresentando pacientemente a cidade, os amigos, o mato, os bichos, os cheiros, as pessoas, os estrepes, as comidas e suas histórias. Fotografia é isto, repito, nas minhas contas, quando se tem vontade de guardar em uma caixinha todas estas histórias, eternamente.



















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