
O fotógrafo JB Scalco fez grandes coberturas de esporte. Gaúcho de Porto Alegre foi formado em uma bela escola de jornalismo. Ele era o melhor fotógrafo de futebol do país, sabia se colocar no campo, entendia de futebol e as comemorações de gol aconteciam sempre do seu lado. Ele sentava no campo em função da pauta e de acordo com o tipo de jogo de cada equipe. Era um especialista.
Diziam as más línguas, invejosas, que ele combinava com os jogadores para comemorar o gol na frente dele. Bobagem, os jogadores sempre correm para o lado da televisão, todo mundo sabe disso. Hoje a moda é mostrar o anel de noivado para a câmera ou erguer os braços para o céu.
Scalco, que não era bobo nem nada ficava do mesmo lado das câmeras da Globo, simples. A diferença dos outros fotógrafos é que ele dominava como ninguém uma tele-objetiva. Suas fotos tinham foco cortante, numa época que o foco era feito na mão. Ele ia buscar a cena antes de todo mundo, tinha ôlho, enchia o quadro, enquanto a maioria batia cabeça e era tão previsível quanto a televisão. Pobre do fotógrafo que tinha um Scalco no seu rumo, para os revisteiros o “Magrão” era jogo duro.
Era o único sujeito que fotografava e via a cena ao mesmo tempo. O que foi visto não esta feito, esta é a regra. Scalco via, fazia e contava todos os detalhes mesmo com o espelho batendo na frente do ôlho.
Uma noite jantando com Ricardo Chaves, meu companheiro de cobertura na Copa da Espanha, Scalco encenou como um ator, vibrando, o lance que foi publicado uma semana depois exatamente como ele havia descrito. “Eu fiz as veias dos braços e do pescoço do Falcão estufadas, a boca aberta, ele veio gritando na minha direção”.
Muitos fotógrafos tem mania de descrever a foto antes de ver o filme revelado. No jornal O Globo o chefe Erno Schneider sempre dava um jeito de passar perto da roda onde um fotógrafo-matraca fazia “foto falada” enquanto o filme estava no revelador. “Cadê os filmes praça, já revelou?”, perguntava quase todos os domingos para os fotógrafos que tinham coberto o clássico do Maracanã. Quando a revista Placar chegava na Espanha, uma semana depois, nos já tínhamos ouvido o “story board” completo de cada imagem. Nenhuma novidade.
Grande Scalco!
Comentários recentes