Arquivo / agosto, 2009

O “namoro” com os gigantes

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“Nós vamos morar no quintal da casa deles para eles se acostumarem com a nossa presença. Muita atenção, ninguém dá um passo fora do acampamento sozinho, eles podem se atrever e vir para cima. Caçar só com 22 para não assustar o índio. Demonstrar que somos alegres, conversar, rir, brincar na água é muito bom. Ajuda na aproximação. Não vamos nos apressar, forçar o contato, a estrada que se dane. Vamos ficar aqui esperando eles chegarem. Este contato será um longo namoro.” Claudio repetiu estas frases por quase três anos, até o dia do contato em abril de 1973.

O dia-a-dia da expedição era virar mato, caminhar o dia todo atrás de algum vestígio dos gigantes, rastros, pontas de flechas, roças ou alguma picada de caça.

Quando chovia ficávamos no acampamento produzindo objetos para colocar em um varal de presentes que era colocado na picada, ou na beira de algum igarapé que fosse passagem dos índios. Claudio comandava tudo até o número de colares que deveriam ser produzidos e lembrava o tempo todo para não desperdiçar as contas que eram importadas. “Custam muito caro, a FUNAI importa da Checoslováquia”,dizia ele. Uma vez me pegou fazendo um colar de duas cores, mas esta história e vou deixar para uma outra hora.

Em um cipó atravessado na picada penduravam-se quinquilharias como bonecas negras e loiras, bolas de plástico, carretel de linha para costura, pentes, pincel de pintura e espelhos que eram estraçalhados a bordunadas. Uma vez os Kranhacãrore amarraram uma asa preta de um jacu no pescoço de uma boneca. Ficamos dias tentando decifrar o que eles quiseram dizer com aquilo.

Todos os caldeirões e bacias de alumínio, as facas, facões e machados eram levados. Certa vez penduramos um jaú de 40 quilos na picada com um anzol espetado na boca e um rolo de linha de nylon. Não deram a menor bola. O peixe apodreceu. Depois recortamos peixes em papelão com a intenção de ensina-los a pescar com linha e anzol. Esta modalidade de “presente” era meio aflitiva quando se imaginava os índios manuseando os anzóis e o perigo das farpas.

Na época o jornal O Globo não tinha cor. Tudo era feito em preto e branco com o velho e bom Tri-X. Eu usava dois corpos de Nikon F sem fotômetro, uma lente normal e uma Zomm 85mm/250mm - 1.4:45. Foco e Zoom era feito no mesmo anel. A lente eram minha segunda pele, era a extensão do meu corpo e eu me aproveitava disso.

Levei por minha conta uma Pentax que também não tinha fotômetro e alguns Ektachrome ASA 100. Luigi Mamprin fotógrafo da Realidade trabalhava com Nikon e Leicas M, tinha fotômetro de mão e só fazia cor. Quando estávamos perto um do outro ele me dava o placar da luz em voz alta. Esta foto, eu me lembro bem, ele me deu o diafragma e mandou fechar meio ponto. Esta é uma chapa com quase quarenta anos, exposta pelo meu saudoso amigo e companheiro de expedição Luigi Mamprin.

Pão, tomate e azeite

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“Pan tomaca” é uma fatia de pão italiano cortado na diagonal, do tamanho de um palmo, sapecado direto no fogo ou tostado na chapa com tomate esfregado e azeite regado por cima. É o nosso pãozinho com manteiga do café da manhã espanhol.

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Churros com café com leite.Outro clássico do café da manhã espanhol.

Pé na estrada

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Pedra do Sal-Parnaíba

Cena de filme

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Esta fotografia é uma reproducão de um original que esta pendurado na sala de reuniões da FOIRN - Federação das Organizações Indígenas do Alto Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira.

A foto é de autor desconhecido, mas faz lembrar um trecho do filme “O Cineasta da Selva” de Silvino Santos. No filme, a câmera está fixa rodando um plano na beira do rio quando, de repente, entra em quadro ao fundo em velocidade maior uma canoa com um caboclo sendo puxado por um pirarucu arpoado. A luz e o cenário são muito parecidos com esta foto onde se pode contar pelos dorsos enfileirados 17 grandes peixes. O segundo e o terceiro são peixes-boi.

Um italiano com alma de caipira

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Jefferson Rueda é um cozinheiro generoso, gosta de fazer comida de panela como galinhada, arroz com suã, leitão assado entre tantos outros clássicos nascidos na roça, nas casas onde as crianças estudam na cozinha.

Aprendeu a cozinhar nos “ranchos” da beira do rio Pardo, em São José do Rio Pardo, com cozinheiros que fazem comida em panelas enormes e adoram ver a cara de felicidade dos amigos se esbaldando. Sabe quanto vale uma galinha criada no terreiro e o que fazer com ela melhor que ninguém.

Sua mulher Janaína é a chef do Bar Dona Onça, que fica embaixo do Edifício Copan e tem a cara daquele pedaço da cidade. Na contramão da moda do vácuo ela faz questão de dizer que adora panela de pressão. E que comida.

Jeffinho, como é chamado em Rio Pardo tem vida dupla. A noite sai do Pomodori, onde é o chef e vai direto para o Dona Onça fazer comida de panelona.

Na sua “praça” no Itaim faz um ravioli com dois recheios separados por uma paredinha de massa.  Um recheio é de galinha caipira na caçarola e o outro é de quiabo refogado. Para chorar.

No cardápio tem, servido num prato só, polenta, ovo frito e um pedaço de linguiça frita. Não sei se é para espalhar mas esta linguiça fresca é feita por ele, é pura de porco e pode ser experimentada crua, de entrada, com um pinguinha de primeira. Comida de quem estudava na cozinha ouvindo a panela de pressão e o cheiro do feijão sendo refogado.

Valeu a pena?

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Anúncio publicado na revista Realidade de 1972 em edição especial sobre a Amazônia.

Muitas pessoas estão sendo capazes, hoje, de tirar proveito das riquezas da Amazônia.

Com o aplauso e o incentivo da SUDAM.

Com o aplauso e o incentivo do Banco da Amazônia.

O Brasil está investindo na Amazônia e oferecendo lucros para quem quiser participar dêsse empreendimento.

A Transamazônica esta aí: a pista da mina de ouro.

Comece agora. Faça sua opção pela SUDAM.

Aplique a dedução do seu imposto de renda num dos 464 projetos econômicos já aprovados pela SUDAM. Ou então apresente seu próprio projeto (seja êle industrial, agropecuário, ou de serviços).

Você terá todo o apoio do Govêrno Federal e dos governos dos Estados que compõem a Amazônia. Há um tesouro à sua espera.

Aproveite. Fature. Enriqueça junto com o Brasil.

Informe-se nos escritórios da SUDAM e nas agências do Banco da Amazônia.”

MINISTÉRIO DO INTERIOR

SUPERINTENDÊNCIA

DO DESENVOLVIMENTO

DA AMAZÔNIA SUDAM

Turu, a bola da vez

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Todas as noites depois do jantar as mulheres marisqueiras do Pereru, uma vila de pescadores próximo a São Caetano de Odivelas, na costa do Pará, conversam sobre maré, ventos e armadilhas para pegar caranguejos. Tambem falam sobre a escala para utilização da casa de farinha da comunidade.

Caranguejos e mariscos tem preço bom e são vendidos para o consumo em Belém. O turu, um bicho com cara de minhoca gigante, cor de lula, e boca parecida com uma broca vive de roer pau podre no mangue, não tem mercado. Pouca gente conhece. Mas, parece que agora o turu virou assunto no andar da alta gastronomia porque o bicho é do departamento dos exóticos e, no mínimo, serve para jogar conversa fora ou fazer um programa de televisão, como fez uma chefe de cozinha.

O câmera colocou um turu em primeiro plano e as mil caretas da apresentadora no segundo fazendo suspense um bom tempo se deveria ou não experimentar o turu. Claro que não comeu, mas adorou o clichê e, ao invés de dar uma mão para melhorar a informação do estimado público não, deitou e rolou em cima do conhecimento caboclo além de ter sapateado na grana do patrão que estava bancando a viagem.

Se esta moça tivesse acordado cedo para acompanhar as mulheres no mangue, enfiado o pé no lodo para filmar a rachação de pau, visto as mulheres lavando turu numa possa de água salgada do mangue para comer com limão, ela descobriria que aquele povo não esta ali para criar pauta exótica para televisão, o turu naquele pedaço de Brasil é alimento.

Mas não, ela foi até o Pará usar o turu como “escada” para fazer um programa engraçadinho e, pior, voltou sem a receita sobre o caldo verde de turu, um clássico nas festas da região.

Como eles fazem o caldo verde de turu:

Eles lavam o turu e deixam de molho com limão uma meia hora.

Em um caldeirão fazem um refogado de cebola, alho, cheiro verde (coentro e cebolinha) e pimenta de cheiro. Acrescentam o turu e dão uma refogada rápida, colocam água quente ate cobrir e deixam cozinhar por cinco minutos. Em seguida polvilham farinha de tapioca e de puba até ficar em ponto de mingau ralinho.

Rock in Rio 1985

Fotografei o Rock in Rio todas as noites de cima de uma lata de tinta de vinte litros que eu escondia debaixo de um caminhão de som. Andava com  a lata, o monopé e uma lente 400mm a tiracolo rodeando o palco.  Os artistas não autorizavam fotos durante o espetáculo por isso não havia nada, propositadamente, que ficasse acima do público que estava na pista, em frente do palco.

Luis Crispino, na época fotógrafo do Estúdio Abril, veio junto. Fomos de carro e levamos  carreta com duas motos CB400 como condução de Copacabana a Jacarepaguá. Não sei o que era pior. Passar a noite em cima da lata com o monopé no meio dos pés ou dirigir a moto até o hotel com o equipamento nas costas.

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Ney Matogrosso

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Nina Hagen

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Freddy Mercury

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AC/DC - ao leitor que me corrigiu. Voce tem razão: este conjunto não é o Scorpions.

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Rod Stewart

Arte de quem?

moringa-com-caneco1Lago Baependi, Rio Negro-AM - Foto publicada no livro Amazônia o Povo das Águas

Ektachrome

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