Escola Hupde
Os índios Hupde, tambem conhecidos como Maku, habitam a região dos rios Uaupés, Tiquié e Papuri no alto Rio Negro, Amazonas. Região conhecida como “Cabeça do Cachorro”, na divisa com a Colômbia.
Os índios Hupde, tambem conhecidos como Maku, habitam a região dos rios Uaupés, Tiquié e Papuri no alto Rio Negro, Amazonas. Região conhecida como “Cabeça do Cachorro”, na divisa com a Colômbia.
Anúncio publicado na revista Realidade de 1972 em edição especial sobre a Amazônia.
“Dizia-se que a Amazônia era um inferno. Um inferno verde.
Mata fechada, solidão e silêncio. Um inferno onde todos estavam longe de tudo. Longe até mesmo do progresso.
O Banco do Brasil nunca levou isso a sério.
Tanto que sua segunda agência foi instalada justamente em Manaus.
Há 63 anos.
Vá conferir. Vá ver gente barulhenta trabalhando sem parar nas novas indústrias. É o Banco do Brasil emprestando dinheiro.
A Zona Franca e os incentivos fiscais estimulando o desenvolvimento. É o Banco do Brasil emprestando dinheiro.
A Transamazônica quebrando aquela solidão e aquêle silêncio.
É o Banco do Brasil emprestando dinheiro.
Para o Banco do Brasil, o inferno nunca existiu neste país.”
No canto esquerdo da foto Pedro Rubens, fotógrafo do Estúdio Abril e Leda Gorgone, editora de moda da revista Elle. Foto feita com uma Leica M4, objetiva Summicron 1:2 35mm e filme TRI-X puxado 1 ponto.
Claudio Villas Boas repetia todos os dias, “não andem sozinhos, sempre em grupos de tres ou quatro, os índios estão nos vigiando o tempo todo.” Era isto mesmo. Para sair do acampamento para as necessidades era preciso pedir a companhia de mais duas ou tres pessoas. Era tudo muito tenso, tínhamos a sensação que os Kranhacãrores, os índios gigantes, iam pular na nossa frente a qualquer momento e nos massacrar. Afinal, éramos trinta homens contra trezentos, a população estimada na época do contato.
Este trabalhador que aparece na primeira foto levantando um veado que ele mesmo atirou e na outra com uma flecha espetada no peito é o Bispo. Uma noite fisgou uma piraíba de uns trinta quilos de cima de uma árvore que avançava para o meio do rio. Era um toro de homem, atirava bem e sempre voltava para o acampamento com alguma caça.
A mata nas margens do rio Peixoto de Azevedo era densa. Um grupo de homens contratados pelo exército para construir a Cuiabá-Santarém pararam o trabalho naquele dia às quatro da tarde, a última luz do dia para quem esta dentro do mato, e voltavam para o acampamento quando Bispo parou para tomar água em uma nascente e ficou para trás. Quando abaixou com a mão em concha no igarapé viu uma “buiá” no mato a trinta metros da água. Não teve dúvida, passou a mão na sua carabina 22 e atirou no rumo do mato mexido. Dois caçadores Kranhacãrore sairam na picada lançando duas flechas. Uma entrou no peito e a outra bateu num osso acima da virilha e quebrou a ponta.
A flecha que entrou no peito passou a dois dedos do coração, a ponta estufou a pele das costas mas não vazou. Desesperado tentou arrancar a flecha com quase dois metros de comprimento com as duas mãos e não conseguiu. Era uma flecha de caça, com ponta de tucum serrilhada, como a farpa de um anzol. Bispo quebrou a flecha e correu na direção dos companheiros que vinham voltando depois que ouviram o tiro.
No acampamento não tinha o que fazer. O sargento Jurandir, chefe dos trabalhadores mandou rádio para Cuiabá pedindo socorro. O resgate só poderia ser feito com helicóptero porque não havia campo de pouso. O ferimento não tinha uma gota de sangue mas Bispo não conseguia deitar, doía muito. Construíram uma cadeira e assim ele ficou tres dias e tres noites aguardando o helicóptero que saiu da base do Parasar em Florianópolis para pousar numa clareira de 50X50 metros construída para receber lançamentos de alimentos que eram feitos por um pequeno avião da FAB. A flecha foi retirada na Base Aérea do Cachimbo e tres meses depois ele estava de volta. Chegou de avião na primeira pista de pouso construída no rio Peixoto de Azevedo.
No médio rio Solimões, na região dos lagos Moura, um conjunto com mais de 300 lagos, é o lugar preferido das “feitorias”. São embarcações com pescadores especializados em arpoar o pirarucu, “mantear”, dividir o peixe em “duas bandas” e salga-lo. Quando o pirarucu tem menos de 30 quilos é chamado de “budeguinho” e vai ser enrolado e amarrado para ser vendido. Se o peixe esta dentro das medidas do regulamento, acima de 60 quilos, é exposto no comércio em “bandas” inteiras.
Quem não comeu de marmita de alumínio esquentada diretamente na chama de um fogo a gás ou de lenha não sabe o que é bom. O termômetro para medir a temperatura é a costa da mão em cima da tampa e deixar o arroz pegar um pouco no fundo da marmita.
Os tapeware são ótimos e podem ser esquentados no microondas mas a comida perde o gosto de alimento caseiro e é muito menos cerimonioso.
Crianças Panara na aldeia onde vivem hoje, nas cabeceiras do rio Iriri, próximo a terra original de onde foram retirados logo depois do contato em 1973, feito pelos irmãos Villas Boas.
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