Estes anjos da guarda…
Belém-Pará
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Uma famÃlia de emas em um campo de soja. A população aumentou porque há fartura de alimentos, mas não existe um capão de mato para dormir a noite. Â
Na região de Rondonópolis, no Mato Grosso, o céu e a soja se encontram no infinito dos campos. Um aplicado no outro, recortado.
ImpossÃvel parar na Av. Ipiranga no encontro com a Consolação e não lembrar de PlÃnio Marcos com uma bolsa de couro atravessada no peito distribuindo algum panfleto ou vendendo livros de sua autoria, na calçada larga do bar Redondo ao lado do Teatro de Arena.O Redondo não tem mais o charme das mesas na calçada, sempre lotadas de jornalistas como antigamente mas o Teatro esta lá, intacto.
“Este salão abandonado da Missão Salesiana no distante rio Tiquié, no estado do Amazonas, já esteve repleto de redes e vozes de crianças indÃgenas. Aqui era o dormitório dos internos da Missão - crianças que eram levadas de suas aldeias, muitas vezes contra a sua vontade, para serem educadas na fé dos brancos.”
 Esta legenda foi publicada no livro Gente X Mato, na retranca “Solidões”.
A foto das crianças é uma reprodução de uma foto feita na Foirn, Federação das Organizações IndÃgenas do Alto Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira. A foto estava pendurada na sala de reunião, sem identificação e de autor desconhecido.
Estas crianças aprenderam a se vestir, falar português e rezar. Na religião católica beber não é pecado. Mas o que se vê hoje nos rios católicos do Alto Rio Negro é muita bebida sendo consumida. É comum ver Ãndios embriagados jogados no meio da rua.
Um padre europeu que trabalha na região confessou desanimado que o único jeito para tentar diminuir a bebida era mentir.  ”Na missa de domingo vou dizer no sermão que beber é pecado”
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São Luis-Maranhão
Em qualquer sertão deste paÃs, atores anônimos se encontram todos os dias nos finais de tarde para produzir uma peça de um ato em algum palco de teatro. Pode ser na areia da beira do mar, na ladeira de terra batida de algum cafundó nunca identificado por algum mapa, ou no meio de uma favela onde tudo é espremido, menos o quadrado onde a protagonista do espetáculo é a bola. Seja onde for, o foco sempre estará nos corpos em movimento, o cenário é a moldura do palco.Â
Marco Antonio trabalhou mais de vinte anos na Europa como correspondente de Veja. Especialista em Vaticano viajou com o Papa João Paulo II de Roma para o Brasil.
Esta foto foi feita na rua onde morava, na Via Dell’ Arco di Parma,  próximo a Piazza Navona, em Roma. Sua casa, onde comi incontáveis pastas maravilhosas feitas por ele, era de onde eu transmitia as telefotos da cobertura do Vaticano para a revista Veja.
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Esta é uma escola indÃgena Makú que esta no rio Papuri, afluente do rio Tiquié, que desemboca no alto Rio Negro acima de São Gabriel da Cachoeira, Amazonas, no rumo de Iauaretê, na divisa entre Brasil e Colômbia.
De “voadeira”, um barco de alumÃnio de oito metros de comprimento com um motor de popa de 25 HP, o tempo de viagem partindo de São Gabriel é de dois dias e meio, navegando 12 horas por dia. Esta viagem consome 1.500 litros de gasolina.
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Quando ando pelo interior, na verdade não precisa ser interior, em qualquer lugar, aqui mesmo em São Paulo, fico aguardando ansioso a comida com uma camerinha na mão porque sei que vem, mesmo nos botecos, um prato-arranjo inusitado. É só levantar da cadeira e reproduzir o prato, do jeito que veio, sem salamaleques, no eixo, 90 graus, com a luz ambiente. Sai umas belas chapas.
São os nossos “food stylist” desconhecidos do dia-a-dia. Muitas vezes gente que nunca pegou uma revista de culinária na mão. É “design” de gente pura, sem referências e modismos mas que nasceu com o dom da arrumação. A lógica da estética é que é o máximo.
O prato apresentado é como um contato, a prova que se fazia com os filmes preto e branco. A montagem final do prato e a apresentação é reveladora do talento destes cozinheiros desconhecidos. É como fazer leitura de port-folio. O autor não precisa explicar ou justificar nada, a cara dele aparece no contato, na finalização da maionese.
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Sou um felizardo. Aos 20 anos conheci o fotógrafo Luigi Mamprin, um italiano de Veneza que chegou ao Brasil em 1949.  Juntos acompanhamos a construção da estrada Cuiabá-Santarém que avançava no rumo dos Kranhacãrore. Mamprin era fotógrafo da revista Realidade e eu trabalhava para o jornal O Globo.Â
Eu fotografava o que podia e ficava quieto, quase não falava. Era confortável  passar o dia ouvindo histórias, de Ãndio, de mato, de Leica, de branco, de caçadas, de milico, de caboclo, da Itália. Minha sala de aula.Nossa especialidade era falar de comida. Claudio Villas Boas mentalizava quase todas as noites um restaurante em São Paulo para fazer o trajeto a pé, na imaginação, detalhando ruas, travessas e referências comerciais até chegar no restaurante preferido. Mas não tinha jeito, quase todas as noites nos iamos parar no Gigetto para comer um capeletti a romanesca, o nosso preferido. Aprendi com o Mamprin a levar para o mato uma garrafinha de azeite extra vergine. “Caldo de piranha com farinha e um fio de azeite é uma iguaria”, dizia ele.
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Latas utilizadas como lamparinas de óleo diesel
Nosso professor Dória publicou esta semana em seu blog(e-boca livre) uma proposta de tratado. Zero receitas, a partir de agora, com “leite condensado” ou creme de leite em lata”. Aqui em São Paulo não tem perdão. A edição da lataria esta ficando cada vez mais justa. Tá certo. Eu só não consigo ficar sem a Massa de Tomate Elefhante, fundamental para fazer o molho de nhoque  que minha mãe fazia.
Sem o leite e o creme em lata o doce de cupuaçu, a sobremesa oficial da Amazônia, não existiria. Foi criado com a chegada das latas. É simples, prático e todo mundo adora. É só juntar polpa de cupuaçu, encontrada em qualquer supermercado congelada, uma lata de “creme de leite e uma de “leite condensado”  bater tudo no liquidificador e depois colocar no freezer por 15 minutos, não tem erro, é um sucesso. Com o bacuri é a mesma coisa.  Em Manaus quase todos os sucos de frutas regionais levam uma colherada de algum leite enlatado ou em pó.Â
A lataria na Amazônia chegou para ficar.É muito prático, fácil de transportar e de conservar. Um sucesso antigo é a sardinha em lata que misturada com farinha é um mata “broca” muito popular.Â
Pirarucu ao môlho branco, com creme de leite é prato fino, e agora?
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