Arquivo / 'Meio ambiente'

Açaí para o mundo

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bbb28 O litro de açai foi de R$ 1,50 na cidade de Belém para mais de R$ 12,00 em pouco mais de um ano. O açaí especial, batido grosso com pouca água esta custando até R$ 20,00 o litro, um absurdo para o cidadão que esta acostumado a pegar o almoço com uma cuia de açai do lado. Os “batedores” compram o fruto na Feira do Açaí ao lado do Mercado Ver-o-Peso que é tambem uma espécie de Bolsa que regula qualidade e preço. O caboclo que esta no mato fazia festa na época da safra, a criançada vivia com a boca roxa de tanto comer o fruto ou tomar batido com farinha. O açai vale muito hoje e o caboclo traz contato todos os cachos que estão no entorno da casa. Sabe que uma “rasa” de um bom fruto (duas latas de 20 litros) pode valer na feira até 60 reais. É a fama do açai correndo mundo.

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Uma amazônia sem peixe

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Quanto mais se sobe o rio Negro no rumo da Colômbia menos peixe. Os índios da Cabeça do Cachorro, que habitam os principais afluentes do Rio Negro como rio Içana e Rio Tiquié fazem malabarismos para conseguir o peixe de cada dia. Comem mais frango do que peixe. Não se sabe extamente o que acontece. Cachoeiras enormes com desníveis imensos impedem a subida para a desova, acidez da água, falta de lagos e, claro, crescimento da população estão entre as principais causas. O caiá da foto acima é uma armadilha feita de esteira de palha que é colocada no pé da queda da cachoeira para aparar as piabinhas que rodam sem controle corredeira abaixo. A coleta é a conta certa para fazer a quinhampira do dia. Um cozido com muita pimenta de diversos tipos engrossado com beiju.

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Em época de balanço do desmatamento não custa lembrar o entorno do Parque Nacional do Xingu

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Onça parda

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Onça parda empoleirada no pantanal do Mato Grosso por meia dúzia de cachorros que pegaram seu rastro de manhã, correram e fizeram ela subir nesta árvore a 15 metros do chão. Fiz esta foto com uma câmera G11, zoom intermediário que deveria equivaler a uma lente 135mm na foto mais cheia. Este é o momento que, acuada pelos cães, seria uma alvo fácil para o caçador. A onça parda quando esta com filhotes chega a matar dois ou tres bezerros por dia para ensinar os filhotes a caçar, comem os miúdos e depois abandonam as carcaças.

Paisagem morta

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As estradas de São Paulo são  um “tapete” como diz um amigo que se sente em uma “free-way” de Los Angeles quando viaja pelo interior. Realmente é um conforto mas, do ponto de vista de imagem o cenário ficou monótono, sem vida, insosso. Não se vê uma alma. A chegada da cana mudou a paisagem mas trouxe gente de todos os cantos do país, os bóias-frias que podiam ser vistos nos acostamentos, circulando nas carrocerias de caminhões, no meio do campo com a cara preta de fuligem das queimadas, com suas roupas coloridas, sobreposições geniais que nunca foram entendidas pelos nossos fashionistas. Em 1975 fiz um ensaio fotográfico sobre os bóias-fria da região de Itapira. Convivi semanas com as famílias que esperavam o caminhão para ir cortar cana embaixo de um poste com a única lâmpada da rua. Não consegui expor o contorno daqueles rostos angelicais por falta de luz mas ficava olhando aquelas expressões e ouvindo as conversas. Com o tempo fui entendendo que para mim fotografia não é só uma imagem estampada em um folha de papel. Fotografia é também convivência e admiração, respeito com a gente do campo, com a paisagem, com meus princípios em relação ao meio ambiente, com o caráter da chapa. Isso mesmo, nas minhas contas foto tem caráter. Tem uma hora que não se vê mais distinção, então pra que apertar o obturador? Estas são fotos que fiz a 35 anos atrás, quando ainda não éramos uma Los Angeles mas, o interior tinha histórias e fotos de encher o quadro de emoção.Com a chegada das máquinas estas figuras humanas únicas, distintas, sumiram do mapa e a paisagem do interior foi virando uma natureza morta interminável  sem os bóias-fria.

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Asfalto, cana e eucalipto

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A fotografia é um bom medidor das transformações do nosso cotidiano. Eu não tenho jeito, vivo fazendo comparações. Bom, eu guardo as fotos, vejo, revejo e choro as mágoas. Agora, neste final de semana não fiz outra coisa enquanto dirigia os 480 quilometros da Rodovia Anhanguera até Uberaba. Lembrei das primeiras matérias que fiz para o Caderno de Economia do jornal O Globo sobre a erradicação dos cafezais depois das grandes geadas de 1970. A terra vermelha estava presente em toda parte, as cidades eram vermelhas, os carros, as roupas, tudo. A terra era sinal de gente, de vida. Aquela terra dava foto. Agora a cobertura é verde clara e não faz contraste com a terra porque a cana sufoca todos os espaços. Quando não é a cana é o eucalipto e a paisagem não muda. A estrada é impecável, o acostamento parece um jardim mas não tem vida. Não se vê uma pessoa, é um sobe e desce de cana interminável. Os bóias-fria, os podões, as garrafas térmicas Invicta, as marmitas areadas , a moda colorida de sobreposições, onde foram parar aquelas figuras humanas únicas? O interior de São Paulo virou um canavial com um asfalto preto no meio.


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Amazônia real

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Madeira aguardando embarque no Porto de Breves, no Pará

Serra do Mar: palmito juçara e cambuci

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Uma picanha e uma frigideira velha, preta de tanto uso no fogão a lenha feito de quatro blocos alinhados com uma trempi apoiada em cima de um par de paus de mato. Alex Atala esta a 70 quilometros do DOM, o 18º melhor restaurante do mundo. Ali não tem Pacojet, assistentes e ele esta despido de seu tradicional avental branco de chef. Ele acabou de sair de uma picada da Mata Atlântica, a nossa serra do mar deslumbrante, o matão para os íntimos. A conversa com os amigos é sobre o mato e os macucos.

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Enquanto conversa Alex pega a picanha e faz cortes transversais como se pode ver na foto. De um golpe só coloca os pedaços agrupados na frigideira, em pé, com a gordura para baixo e deixa fritar lentamente para derreter a gordura, depois tomba os pedaços e deixa entrar no ponto. Tudo isto é feito naturalmente quase sem tocar na carne, uma arrumação espontânea de um “food stylist” nato.

No fim da tarde juntamente com o amigo Fernão Mesquita descemos a serra e paramos no primeiro boteco do pé da serra para tomar uma pinga com cambuci. O teto do barzinho ficava a um palmo da cabeça do Fernão. Em cima do balcão um vidro enorme destes de 5 litros de palmito juçara era vendido por R$ 25 reais. A mulher nos serviu um copo americano cheio de pinga com cambuci e outro de pinga com orvalha e abriu um vidro de palmito pequeno e colocou em uma travessinha destas “made in china”. Temperou com sal, espremeu limão cravo e regou um fio de óleo Maria.

Avançamos no palmito alternando goles de pinga enquanto resmungavamos inconformados com a pouca valorização dada as nossas relíquias gastronômicas.

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“E tem gente que gasta fortunas para ir a Alba comer e nunca provou um palmito juçara”, reclamou Alex enquanto pedia que a mulher abrisse mais um vidro de palmito. Eu queria levar um vidrão para casa. Era barato demais e eu ia me esbaldar, matar todas as vontades. Fernão e Alex acharam melhor não. Aquilo era um estímulo a predação mesmo com a mulher sinalizando varias vezes que precisava de 50 reais naquele dia. Abrimos outro vidro e comemos mais palmito, alvo, macio, único e bebemos mais, desanimados com a falta de perpectivas para aquele mato que poderia ser muito mais bem cuidado e aproveitado por todos nós. Uma pena, no fundo o que nós queriamos naquela hora, se pudéssemos, era pegar os brasileiros um por um pelo braço e mostrar o caminho daquela beleza de serra, depois servir o legítimo palmito juçara e uma pinga com cambuci. Queriamos compartilhar com todos aquele gosto que, nas nossas contas, infelizmente, esta com os dias contados.

Rio Amazonas

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Fim de tarde no Rio Amazonas. Caboclos oferecem frutas, peixes e tambem  filhotes de arara e macaco para as embarcações com turistas que retornam da Festa do Boi de Parintins.

aaa22Sebastião Borges atracando ao lado do Taba no rio Tarumã.

Port-folio?

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Eu ia mudar de assunto mas não consegui. O Largo da Batata ficou enroscado, ainda mais porque hoje passei por lá duas vezes. O céu azul continuava lá, servindo de fundo para aqueles cones parece que talhados no facão, incrivelmente toscos. Depois fiquei me perguntando se o autor deste projeto teria coragem de colocar as fotos que publiquei ontem no seu port-folio de trabalhos pessoais, será? E o paisagista, colocaria esta foto com estas quatro árvores espetadinhas em dois palmos de terra em um pasta com seus melhores trabalhos? E a construtora apresentaria esta foto da obra para mostrar o nível de exelência de sua mão de obra?